Cuidados com a cicatriz após cirurgia

Post 20-05-16

Qualquer incisão cirúrgica, por quebrar a barreira tecidual, desencadeia a produção de colágeno no local como parte do processo de recuperação. Na primeira fase de uma cicatrização normal (aprox. 3 meses), o colágeno se acumula na região lesada, aumentando a resistência do tecido. Além disso, há um aumento da vascularização, deixando a cicatriz mais aparente e avermelhada. Depois, a produção de colágeno e a vascularização começam a diminuir e a cicatriz vai gradualmente assumindo coloração mais próxima à da pele ao seu redor. Após cerca de um ano o processo de cicatrização é concluído. No contexto de um acompanhamento médico, é importante respeitar as fases evolutivas de uma cicatriz. Mas há muito o que podemos fazer para otimizar o processo de cicatrização:

  1. Cuidar da alimentação.
    • Vitamina C é importante na produção do colágeno. Boas fontes são acerola, morango, laranja, limão etc..
    • Carne, leite e ovos ajudam a suprir a necessidade de ferro, proteínas e outros minerais necessários para uma boa cicatrização.
  2. O fumo prejudica a cicatrização. Que tal aproveitar a cirurgia com ensejo para parar de fumar?
  3. Nas orientações pré-cirúrgicas, o cirurgião informará você sobre possíveis restrições de mobilidade no pós-cirúrgico, como por exemplo o raio de movimentação dos braços após mamaplastias ou a postura levemente curvada para a frente após abdominoplastias. Manter as posturas indicadas até liberação médica é primordial para a boa recuperação da incisão.
  4. Medgel (uma fita autoadesiva à base de silicone), por exemplo, pode ser um aliado é no tratamento e prevenção de cicatrizes hipertróficas, queloides e eritema (vermelhidão) da pele no pós-cirúrgico. Ele é de fácil utilização, eficaz no tratamento de cicatrizes recentes ou antigas, só sendo contraindicado em feridas abertas, regiões infectadas e tecido não sadio. A fita reduz o espessamento e dor, devendo ser usada regularmente.
  5. Liberação tecidual funcional (LTF): é uma técnica fisioterápica manual com o objetivo de reorganizar as estruturas dos tecidos, recuperando funcionalidade e flexibilidade e favorecendo o metabolismo normal, tratando problemas como dores, retrações, inchaços etc.
  6. Cremes à base de silicone ou corticoide, dependendo da fase cicatricial e do quadro específico podem também sua indicação. Porém, quando o relevo da cicatriz já está alto, estes tratamentos não ajudam muito. Óleo de rosa mosqueta ajuda a reduzir a coceira provocada pela cicatrização dos tecidos. A massagem feita com cremes cicatrizantes ajuda a prevenir aderências cicatriciais, evitando planos irregulares na superfície da cicatriz.
  7. A injeção de corticoide é mais eficaz na tentativa de paralisar a hipertrofia cicatricial, proporcionando às vezes até a involução.
  8. Injeções com interferon também podem ajudar a melhorar a espessura e aparência cosmética de cicatrizes hipertróficas, pois promovem a lise (dissolução) de colágeno.
  9. Para queloides já bastante desenvolvidos, a cirurgia passa a ser o tratamento mais eficaz. Dependendo da localização e tamanho, podem ser necessárias algumas cirurgias para minimizar o problema e nem sempre é possível eliminá-lo por completo. Devemos ter consciência também de que a cirurgia retira o problema e inicia uma nova cicatriz do zero. A vantagem é permitir uma tentativa de controle da nova cicatriz. Se nada for feito o queloide seguramente retornará.
  10. Betaterapia: tratamento para a pele à base de radioterapia. Reduz a atividade do fibroblasto, célula responsável pela produção do colágeno. Com isso, reduz a chance deste retornar. É recomendado que a cicatriz seja retirada cirurgicamente e, após a cirurgia, é utilizada a Betaterapia para evitar que o queloide reapareça. A quantidade e duração das sessões é proporcional ao tamanho da cicatriz. O tratamento é simples, indolor, totalmente seguro e sua penetração se limita à pele. Apesar do alto custo, atualmente este é um dos tratamentos para queloide mais eficazes.
  11. Em especial no caso de cicatrizes deprimidas (como as de acne, marcas de catapora/varíola, cirurgias ou irregularidades pequenas da superfície da pele), podem ser indicados:
    • Peeling químico: provoca uma queimadura controlada da pele, podendo atingir diferentes profundidades de acordo com o protocolo adotado.
    • Dermoabrasão: Um equipamento remove camadas superficiais da pele e dando um contorno mais homogêneo a superfície da pele.
    • Preenchimento com biomateriais como ácido hialurônico ou PMMA (polimetilmetacrilato).
  12. Laser: Diferentes lasers podem ser utilizados, dependendo da indicação:
    • Resurfacing com laser fracionado CO2: indicado para cicatrizes por acne ou outros tipos de cicatrizes atróficas.
    • Dye laser pulsado: usa luz amarela para remover cicatrizes avermelhadas e aplainar cicatrizes hipertróficas; melhora a sensação de prurido e queimação da cicatriz.

Converse com seu médico antes da cirurgia se já teve problemas de cicatrização em cirurgias passadas (queloides, cicatrizes hipertróficas). Ideal nesses casos é já antes mesmo da cirurgia traçar uma estratégia.

Lembre-se! NÃO SE AUTO-MEDIQUE! Cada caso é um caso e a definição da conduta médica correta passa sempre por uma extensa e criteriosa avaliação, além de exigir acompanhamento, reavaliação e adequação regular de conduta.

Confira também informações do nosso site sobre:

Cigarro e Cirurgia Plástica não combinam!

Post 17-05-16

Entre as principais recomendações pré e pós-cirúrgicas para nossos pacientes está o item contraindicando o tabagismo.

O cigarro prejudica a cicatrização da pele após atos cirúrgicos. Pessoas que fumam até um maço de cigarro por dia têm 3 vezes mais chances de apresentar necrose (morte de tecido orgânico). Há ainda maior risco de gangrena (morte de tecido por falta de irrigação sanguínea) porque as substâncias tóxicas do cigarro provocam vasoconstrição (diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos, dificultando o suprimento das células com oxigênio e nutrientes). Sem falar que o fumo inibe a absorção da vitamina C pelo organismo.

Durante uma cirurgia que envolve o descolamento do tecido cutâneo (em especial um lifting facial), há uma natural diminuição da vascularização. Esta, se somada à vasoconstrição causada pela nicotina, compromete e retarda significativamente o processo de cicatrização após a cirurgia. O risco de infecção aumenta. Hematomas retraem mais lentamente. As cicatrizes podem ficar mais avermelhadas e salientes.

Além disso, há possibilidade de deiscência (abertura da sutura) e de a pele voltar a enrugar em razão da menor sustentação dos tecidos.

Sem esquecer que o fumo compromete o sistema respiratório e aumenta a secreção pulmonar, deixando o paciente mais suscetível a infecções, intercorrências referentes à anestesia, trombose e embolias.

Por fim, para regenerar completamente o tecido manipulado na cirurgia, o organismo precisa de grande quantidade de oxigênio. O monóxido de carbono contido no cigarro diminui a quantidade de oxigênio transportado ao sangue, intoxicando o organismo.

É recomendado que o paciente interrompa o fumo por pelo menos 30 dias antes e após a cirurgia. Entretanto, ideal mesmo é não fumar em nenhuma hipótese. ATENÇÃO! Não omita ou minta para o cirurgião sobre esse fato. Afinal, é sua vida, sua saúde que está em jogo.

Cigarro é veneno para a aparência…

Por fim, na nossa sociedade moderna, refém de padrões rígidos de beleza, a primeira vítima do tabagismo é a aparência do fumante, independente de qualquer ato cirúrgico. As células da pele, pior “nutridas”, têm seu metabolismo comprometido. Por consequência, a pele perde o viço e começa a envelhecer precocemente.

As coisas pioram quando cigarro e sol se unem. Pesquisas estimam que a pele das pessoas que tomam sol e fumam envelhece 10 vezes mais rápido do que a de quem não têm esses hábitos, já que a exposição solar, assim como a nicotina, destrói as fibras de colágeno e elastina, apressando o processo de envelhecimento.

Um estudo da Universidade de Ouio, na Finlândia, mostra que o organismo dos fumantes produz menos colágeno, apresentando por isso maior flacidez e mais rugas precoces.

Cicatrizes e fibroses pós-cirúrgicas

Post 21

Todo tecido submetido a uma cirurgia sofre algum tipo de lesão. Alterações, como edema (inchaço) e equimoses (manchas roxas) fazem parte do processo de restauração da lesão e podem ser tratadas, possibilitando uma recuperação mais rápida.

A fibrose nada mais é do que a cicatriz interna. Um tecido predominantemente composto por colágeno, que, sendo menos elástico que a pele normal, dá comumente uma sensação de repuxamento e endurecimento leve, principalmente nos três primeiros meses depois da cirurgia. Com o passar do tempo, a fibrose vai diminuindo e a região vai ficando mais maleável.

Porém, em alguns casos onde há propensão genética, há um processo de cicatrização irregular, com formação de fibrose subcutânea persistente, com nodulações e retrações da pele, isto é, aderências prendendo a pele ao músculo. Visivelmente, percebemos muitas vezes depressões, ondulações e assimetrias.

Fibrose tem tratamento, independentemente do tempo.

Uma técnica é a liberação tecidual funcional (LTF), uma técnica manual de reorganização do tecido cicatricial, realizada por fisioterapeuta capacitado.

Drenagem linfática é importante, em essencial em cirurgias com grandes descolamentos de pele, pois minimiza a retenção de líquido. Quanto mais retenção de líquido, maior a fibrose.

Tecnologias, como a radiofrequência e ultrassom, apresentam ótimos resultados, melhorando a mobilidade do tecido cicatricial, diminuindo ondulações e melhorando a qualidade da pele. Esses dois procedimentos melhoram, além disso, circulação sanguínea e linfática, reduzem o edema e atuam na desintoxicação do tecido.

Essas técnicas, dependendo de cada caso, podem ser conciliadas, potencializando os efeitos.

Quanto mais precocemente tratada, maior a chance de sucesso, pois fibroses antigas, já endurecidas, são mais espessas que fibroses nos estágios iniciais (14 a 21 dias após a cirurgia).

Cirurgia Plástica – Antes, durante e depois

Post 11

Toda cirurgia está associada a riscos. Para evitá-los, é antes de mais nada importante entendê-los, buscando, assim, agir da forma correta. Cada etapa antes, durante e depois da cirurgia exige precauções.

No geral, quanto maior o porte da cirurgia, maiores os riscos. Mas TODA CIRURGIA exige cuidados!

👉 Antes da cirurgia

– Você deve buscar esclarecer todas as suas dúvidas.

– O fumo bem como certos medicamentos como aspirina e alguns anti-inflamatórios podem ser fator de risco.

– Para ter certeza que seu organismo está apto a se submeter a uma cirurgia, uma bateria de exames é necessária.

👉 Durante a cirurgia

– A cirurgia deve ser realizada num hospital com a infraestrutura correta para interagir com eventuais complicações.

– A equipe de profissionais que realizam sua cirurgia deve ser gabaritada. Cirurgia plástica deve ser com o cirurgião plástico! Um bom anestesista também é de suma importância para que tudo corra bem durante a cirurgia.

👉 Depois da cirurgia

Cada cirurgia leva a certos tipos de intercorrências. Comuns são edema (inchaço), hematomas (manchas roxas), seroma (acúmulo de um líquido no local operado, que requer punção), restrições na mobilidade (até recuperação da cicatriz) entre outros.

Você precisará cooperar, comparecendo às consultas de revisão, tomando a medicação receitada corretamente, seguindo orientações para suas rotinas pessoais de higiene pessoal e alimentação e fazendo procedimentos adicionais, quando indicados (como por exemplo, fisioterapia dermato-funcional, drenagem linfática etc.).

Cada organismo tem seu tempo e suas especificidades para se recuperar. Respeite!

 

Fonte: http://www.smartbeautyguide.com/planning-toolkit/complications

Bebidas alcoólicas & Ressaca

Slide7

Neste Carnaval, que haja muita alegria e exuberância. Mas ressaca… ninguém merece…

Algumas dicas do Dr. Wilson Rondó, especialista em Medicina Preventiva Molecular.

O melhor é sempre não abusar das bebidas alcoólicas, pois o álcool leva a várias reações negativas no organismo:

1 – Aumento de frequência urinária, levando à desidratação e perda de eletrólitos. Isso leva à sensação de cansaço e tonturas.

2 – Aumento de acetaldeido, proveniente da metabolização do álcool no fígado. O acetaldeido é 30 vezes mais tóxico que o próprio álcool. Quando você bebe muito, as enzimas do fígado não dão conta de metabolizar o álcool e o acetaldeido aumenta muito no seu corpo, causando os efeitos da ressaca.

3 – Bioprodutos da fermentação, mais presentes em bebidas escuras, como uísque e vinho tinto, podem piorar ainda mais a condição da ressaca.

4 – Alterações no metabolismo da glutamina podem levar a um chamado efeito rebote, que gera cansaço, ansiedade e até hipertensão arterial.

5 – Como o álcool irrita a mucosa gástrica, aumenta a produção de ácidos no estômago, promove náusea, vômito e dor abdominal.

6 – Alterações da glicemia, acarretando tremores, alteração de humor e cansaço.

7 –Vasodilatação, estimulando a dor de cabeça.

8 – O álcool estimula uma reação inflamatória, que pode levar a alteração de apetite, distúrbio de concentração e problema de memória.

Como prevenir?

Nutrientes importantes para o metabolismo do álcool são: vitaminas do complexo B (presentes por ex. em carnes magras, peixes, laticínios, ovos, hortaliças, folhas verdes escuras, amêndoas, abacate, banana, cereais), vitamina C (presente por ex. em frutas cítricas), magnésio (presente por ex. em castanhas, semente de abóbora, alcachofra), silimarina (principalmente alcachofra), N-Acetyl L-Cysteína (presente por ex. em laticínios, cereais integrais, castanhas, alho, brócolis, cebola roxa, couve-de-Bruxelas e, principalmente ovos).

Além disso, são importantes também: gengibre, curcumina (açafrão-da-terra, curry), óleo de coco, azeite de oliva.

É importante também:

  • manter-se hidratado;
  • alimentar-se antes e durante o consumo de bebidas;
  • repor eletrólitos no dia seguinte, consumindo bastante água de coco;
  • ficar fora de acetominofen, um analgésico que coloca muita carga no seu fígado;

ATENÇÃO! O álcool é uma neurotoxina que pode envenenar o seu cérebro e comprometer o seu equilíbrio hormonal, portanto use com moderação e aproveite bem todos os dias de folia!

ATENÇÃO, ATENÇÃO! Nossos pacientes se preparando para uma cirurgia e aqueles na primeira fase pós-cirúrgica, busquem evitar bebidas alcoólicas no geral!

Fonte: http://www.drrondo.com/ressaca-guia-para-prevenir/